Novembro/2013

NOVEMBRO seguir

Segunda-feira 5 de Novembro

Voz é corpo, ou por outra, voz é gesto, movimento. Dei por mim a dançar a voz. Descolada, independente do gesto que estava a brotar, como se fosse mesmo mais um movimento junto, lado-a-lado. Falei imenso. Um ombro levantado, a voz da Cátia, as pedras novas da calçada do Benformoso.

A Elizabeth Groz escreveu, num texto que já não sei qual é… “ o corpo e o ambiente produzem-se mutuamente, como formas de hiper-real, como modos de simulação que ultrapassam e transformam a realidade de cada um deles na imagem do outro.”

Quarta-feira 7

Experimentar mais intensamente o trânsito entre dançar e só estar apenas. Entre dançar e falar.

Segunda-feira, 22

Se há um livro que me tem acompanhado nos últimos tempos, é o livro da Laurence Louppe “A póética da Dança Contemporânea” (ed. Orfeu Negro). Passo para aqui alguns trechos:

p. 32: “ Dançar é mostrar o que me faz a dança. Os corpos são atravessados ou atingidos pelo que fazem ou pelo que aprendem. A disseminação de toda a leitura possível passará, de forma exemplar na dança por todas as dimensões da experiência. O movimento dançado deixará as suas marcas no corpo que o gera, tal qual no corpo que o acolhe e/ou percepciona.”

p. 35: “ A obra coreográfica já não deve ser analisada como um simples objecto. Deve ser considerada, pelo contrário, uma leitura do mundo em si. Uma estrutura de informação deliberada, um instrumento de esclarecimento sobre a consciência contemporânea. Por vezes até uma arma de combate contra a injustiça ou os esteriótipos, a manifestação de uma consciência que se opóe a eles e que está empenhada num protesto, senão numa denúncia… Trata-se então não tanto do que trabalha a dança, mas do que a própria dança trabalha. O meio humano no qual ela desenvolve as suas possibilidades e de que ela prórpria propóe um saber.”

Ensaio seg. 26

… não existir tanta distinção entre dentro e fora… encontro-me com uma presença mais fluida entre estar lá e cá… ir ao fundo com alguma leveza no pensamento.

…pegar a porta de madeira, colocá-la no chão… voltar a levantar no final… vestir-se.

… várias idades, vida e morte.

…intensidade emocional… limiar… não apanhar o primeiro trem-comboio… e saber ouvir o que ali está…

… incontrolável, permitir-me perder me… o trânsito… Este CRU de agora está mesmo num lugar entre a presença do corpo, os limites entre o corpo que dança e o corpo que é… zonas de quase insitinção… presença do corpo organismo-criatura. Corpo-que-é-pessoa-que-dança.

… quando tinha as mãos agarradas à barriga, senti a força deste contecimento!

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s